A proposta de revitalização dos campos maduros, considerada hoje como a principal pauta da agenda do petróleo discutida entre instituições empresariais do setor de óleo e gás junto ao governo federal, ganha força através da estratégia anunciada pela Petrobras na noite da última sexta-feira (28).

Faltando dois meses para a realização da rodada de licitação agendada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) que ofertará novas áreas de exploração e de produção de petróleo na Bacia de Campos, a Petrobras anuncia a venda de ativos para operação em poços que representam a gêneses da indústria de óleo e gás de Macaé e da região. E isso, na visão de especialistas, é uma ótima oportunidade de negócios para a cadeia offshore.

Ao repassar a concessão de produção de 89 poços situados nas regiões dos Campos de Enchova e Pargo, a Petrobras abre caminho para que outras grandes operadoras de óleo e gás no mundo possam investir pesado na Bacia de Campos, um negócio viabilizado através de novas tecnologias que já estão fazendo a diferença entre outros polos de produção de petróleo espalhados pelo mundo.

Essa oferta coloca no centro do mercado internacional do petróleo áreas de exploração com infraestrutura de operação completa, o que significa menos custo e mais rapidez de retorno de investimentos, através da produção de barris diários.
Nessas concessões às quais a Petrobras 'abre mão' para investir pesado no pré-sal, são colocadas no mercado reservas com potencial de produção de 38 mil barris de petróleo/dia, onde 12 plataformas (fixas e flutuantes) já estão instaladas.

Esse sistema ilustra a proposta levantada pelas principais empresas prestadoras de serviços para a cadeia de óleo e gás, que viabilizam a revitalização dos campos maduros, como um ótimo negócio a ser investido pelas gigantes do setor no mundo.
Durante a edição deste ano da Brasil Offshore, o presidente da Schlumberger Brasil, e membro da diretoria da Associação Brasileira das Empresas de Serviços do Petróleo (Abespetro), apresentou essa proposta como o novo viés do mercado internacional do petróleo, capaz de devolver ao país, especialmente a Macaé, a projeção de novos negócios de forma imediata, e consequentemente a geração de emprego.

E a estratégia da Petrobras de ofertar as concessões das áreas de maior tempo de produção na Bacia de Campos, desperta o interesse de investimentos das principais empresas que pertencem a Abespetro, instituição que levanta a bandeira da retomada do mercado do petróleo nacional, através da agenda do petróleo.

"Essa é uma grande notícia para o mercado. É realmente o início de um novo viés para a indústria do petróleo nacional, com grande potencial de geração de empregos", considerou Gilson Coelho, gerente executivo da Abespetro.

A venda da concessão dessas reservas dos campos maduros da Bacia de Campos segue uma nova tendência do mercado internacional de óleo e gás, que dá resultados em polos petrolíferos situados no Equador e na Colombia.

"Para a Bacia de Campos, esse decisão é fundamental porque abre a projeção de investimentos, o que se torna um aquecimento importante para o setor e permite que a Petrobras alcance uma nova posição, através do pré-sal", avaliou Gilson.
 
Redução de alíquota de royalties fortalece proposta
 
Como um fator importante para tornar a estratégia da Petrobras ainda mais interessante para as grandes empresas do petróleo internacional, Macaé lidera a proposta de 'abrir mão' de parte do volume de royalties que serão gerados através da revitalização dos campos maduros.

Com a redução de 10% para 5% da alíquota dos royalties que incidem sobre a produção dessas reservas da Bacia de Campos, Macaé contribui para que o custo da operação de revitalização dos campos maduros seja mais rentável para a operadora que adquirir a concessão desses ativos colocados à venda pela Petrobras.

Com isso, a cidade ganharia, através desses investimentos, a abertura de milhares de postos de trabalho. E o retorno dessa redução dos royalties seria garantido pelo reaquecimento imediato da economia local.

Esse foi um dos pontos discutidos entre o presidente da Petrobras, Pedro Parente, que recebeu ontem (31), o prefeito de Macaé, e presidente da organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Dr. Aluízio (PMDB), em reunião no Rio de Janeiro.

Autor: Márcio Siqueira O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Foto: Kaná Manhães